Doente falecidos cuja risco de mortalidade (do GDH) era baixa

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Doente falecidos cuja risco de mortalidade (do GDH) era baixa

Mensagem por amaral bernardo em Ter 09 Out 2018, 06:38

"Na qualidade de auditora fui encarregue pelo conselho de administração de rever processos de pacientes que faleceram, mas cuja probabilidade de morte era baixa. Encaixam no alerta 960 - episódio agrupado em risco de mortalidade 1 ou 2 e com destino após a alta falecido.
 Estive a rever esses processos, que são de neurologia, e a grande maioria dos pacientes entram com diagnóstico principal (DP) de aftercare após  cirurgia do sistema nervoso (códigos Z48.811 ou código Z48.89).
 Nestes casos o DP é aftercare e é necessário escrever qual a causa que motivou a transferência do doente para neurocirurgia e outras intercorrências havidas no outro hospital ? 
 Eu acho que não mas pedem-me para eu ver se com isso se altera o GDH"


(Responde Fernando Lopes)
 
O risco de mortalidade, de modo idêntico ao que acontece com o nível de severidade, é devolvido pelo agrupador juntamente com o GDH e baseia-se, obrigatoriamente (entre outras coisas), nos diagnósticos codificados.
Se um doente não tem diagnósticos adicionais de comorbilidade o risco de mortalidade será mais baixo e a existência de vários diagnósticos de comorbilidade e de complicações fá-lo-á aumentar.
Pode ser útil rever os episódios assinalados com este alerta porque poderão corresponder a falhas de documentação e/ou de codificação.
 
Nas transferências de doentes de outro hospital o diagnóstico principal obedece à definição geral (o que justificou a admissão) e os diagnósticos adicionais serão todos aqueles não tratados no hospital de proveniência e outros que surjam depois da admissão. É evidente que as intercorrências havidas no outro hospital, se tratadas, não se codificam.
 
O diagnóstico principal não é, obrigatoriamente, o de cuidados posteriores (aftercare). Por exemplo, um traumatizado de crânio, operado por neurocirurgia, poderá ser transferido por uma fratura do fémur, não tratada, e esse ser o diagnóstico principal no hospital de destino.
Existem muitas situações de doentes observados ou tratados parcialmente a uma doença ou lesão que vai ser submetida a tratamento ativo no hospital de destino. 
 
Os cuidados posteriores (aftercare) estão definidos na ICD-10-CM:
Categories Z40-Z53 are intended for use to indicate a reason for care. They may be used for patients who have already been treated for a disease or injury, but who are receiving aftercare or prophylactic care, or care to consolidate the treatment, or to deal with a residual state.
A aplicação destes códigos implica que:
- o doente já foi tratado duma doença ou lesão
- a admissão é para consolidar o tratamento ou para tratar de estados residuais.
 
Nem todos os doentes transferidos se enquadram nesta definição de cuidados posteriores.
 
 
Fernando Lopes
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amaral bernardo

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