Queimados transferidos (2)

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Queimados transferidos (2)

Mensagem por amaral bernardo em Seg 04 Fev 2019, 06:58

"Continuo ainda confuso.
 Quando o doente é transferido as queimaduras não estão seguramente cicatrizadas, mas em vias de cicatrização. São objeto de cuidados locais, como penso.
 Por exemplo: doente transferido de uma unidade queimados, com 25% de superfície corporal queimada, a efectuar penso simples. 
 Se as considero ativas e as codifico, ao ser transferido para o meu hospital, faz penso três dias e tem alta para a consulta, o pagamento será igual, pois a codificação é igual, mas os cuidados dispendidos foram seguramente diferentes..."
 
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"E qual é o 7º caracter a aplicar? 
 A, D ou outro ... ?"

(Responde Fernando Lopes)

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As Guidelines dão orientações para codificar as queimaduras enquanto não cicatrizarem.
O agrupamento do episódio será resultado não apenas do(s) diagnóstico(s) mas também dos procedimentos realizados.
Se no hospital de origem tiverem sido realizados enxertos e no hospital de destino apenas pensos, o agrupamento resultará em GDH diferentes (pelo menos nos casos de queimaduras do 3º grau no APR-DRG 31).
 
Mas não deve ser esta a preocupação do médico codificador. A sua obrigação é codificar segundo as instruções e as convenções da ICD-9-CM/PCS, as orientações das Guidelines e outras aplicáveis (de fontes autorizadas).
 
A questão dos episódios de doentes traumatizados faturados por dois ou mais hospitais às companhias de seguros é antiga e está regulada nas portarias dos GDH e nas circulares normativas da faturação. 
 
Várias Portarias dos GDH (608/91, 132/2003, 20/2014 e 234/2015) diziam que "O hospital que recebe o doente transferido, para continuidade de prestação de cuidados, fatura o GDH de cuidados posteriores..." (mas não diziam como codificar).
Outras portarias como as 409/90, 378-A/92 e, mais recentemente, a 207/2017 e a 254/2018 que atualizou o que se refere à produção adicional, dizem que "O hospital que trata o doente transferido fatura o preço do respetivo GDH" (ou seja, o GDH que resultar da codificação).
 
Quanto ao 7º caracter a aplicar nos códigos dos traumatismos as Guidelines explicam:
 
Application of 7th Characters in Chapter 19
Most categories in chapter 19 have a 7th character requirement for each applicable code. Most categories in this chapter have three 7th character values (with the exception of fractures): A, initial encounter, D, subsequent encounter and S, sequela. Categories for traumatic fractures have additional 7th character values. While the patient may be seen by a new or different provider over the course of treatment for an injury, assignment of the 7th character is based on whether the patient is undergoing active treatment and not whether the provider is seeing the patient for the first time. 
(ICD-10-CM Official Guidelines for Coding and Reporting, FY 2019, Page 75 of 120)
 
7th character “A”, initial encounter is used for each encounter where the patient is receiving active treatment for the condition.
7th character “D” subsequent encounter is used for encounters after the patient has completed active treatment of the condition and is receiving routine care for the condition during the healing or recovery phase.
(ICD-10-CM Official Guidelines for Coding and Reporting, FY 2019, Page 76 of 120)
 
 
Os pensos serão tratamento ativo? 
As Guidelines não exemplificam mas o Coding Clinic dá uma ajuda:
 
Examples of active treatment are:
surgical treatment, emergency department encounter, and evaluation and continuing (ongoing) treatment by the same or a different physician
(Coding Clinic First Quarter 2015 p.13)
Examples of subsequent care are
cast change or removal, an x-ray to check healing status of fracture, removal of external or internal fixation device, medication adjustment, other aftercare and follow up visits following treatment of the injury or condition.
(Coding Clinic First Quarter 2015 p.4)   
 
É evidente que esta orientação é simples de aplicar às fraturas mas não se pronuncia especificamente sobre os pensos.
Neste caso a palavra chave é 'continuing (ongoing) treatment by the ... physician'.
Se os pensos são o tratamento da queimadura (para além dos casos em que é necessária cirurgia) eles constituem tratamento ativo e será, por isso, aplicável o caracter A aos respetivos códigos de diagnósticos.
 
E o 'routine care for the condition during the healing or recovery phase' ?
Eu distinguiria aqui os pensos feitos ou vizualizados pelo médico e os pensos (lavagem e proteção) feitos apenas por enfermagem depois da queimadura cicatrizada.
 
Não sei se virá a ser necessário um consenso nesta área...
 
 
Fernando Lopes
 
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Olá 
 
"Acontece com alguma frequência doentes virem transferidos de unidade de queimados, efetuando apenas pensos simples, durante 2-3 dias e depois têm alta. 
 Como codificar? 
 Z48.01 Encounter for change or removal of surgical wound dressing? 
 Descriminar as queimaduras, área corporal, mecanismo?
 Várias áreas podem estar em consolidação mas algumas serão ainda submetidas a desbridamento e enxerto.
 Codificam-se só essas áreas queimadas?"
 
 
As queimaduras devem codificar-se enquanto não cicatrizarem:
Non-healing burns
Non-healing burns are coded as acute burns.
Necrosis of burned skin should be coded as a non-healed burn. 
(ICD-10-CM Official Guidelines for Coding and Reporting, FY 2019, Page 79 of 120)
 
Os hospitais que recebem doentes transferidos codificam as lesões não tratadas. Não se codificam obrigatoriamente 'cuidados posteriores'  só porque o doente é transferido. Podem ter sido tratadas umas lesões e terem sido deixadas outras para tratamento diferido.
 
E sim, estando em tratamento (algumas) queimaduras, devem discriminar-se e codificar-se também a causa externa e a área corporal atingida.
Assign separate codes for each burn site
When coding burns, assign separate codes for each burn site. Category T30, Burn and corrosion, body region unspecified is extremely vague and should rarely be used.
Codes for burns of "multiple sites" should only be assigned when the medical record documentation does not specify the individual sites.
(ICD-10-CM Official Guidelines for Coding and Reporting, FY 2019, Page 79 of 120)
 
Use of an external cause code with burns and corrosions
An external cause code should be used with burns and corrosions to identify the source and intent of the burn, as well as the place where it occurred.
(ICD-10-CM Official Guidelines for Coding and Reporting, FY 2019, Page 80 of 120)
 
 
Fernando Lopes
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